Economia Política — 18 novembro 2010

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) entre 1995-2008, a região Nordeste foi a que mais ganhou participação no PIB brasileiro, seguida pela Norte, Centro-Oeste e Sul, enquanto a Sudeste perdeu participação. Embora com acréscimo de 1,1 ponto percentual de participação no período, o avanço na região Nordeste ficou concentrado entre 1995 e 2002 (0,9 ponto percentual), já que, entre 2002 e 2008, ganhou 0,1 ponto percentual de participação.

As regiões Norte e Centro-Oeste, ao contrário, mantiveram ganhos no mesmo patamar nos dois intervalos considerados: 0,5 ponto percentual e 0,4 ponto percentual para a primeira e 0,4 ponto percentual em ambos os períodos para a segunda. A região Sul ganhou 0,7 ponto percentual entre 1995 e 2002 e perdeu 0,3 ponto percentual entre 2002 e 2008, enquanto a região Sudeste teve a maior queda de participação no primeiro período (-2,4 pontos percentuais) em relação ao segundo (-0,7 ponto percentual).

Na região Nordeste, a administração pública pesa, em média 22% da economia dos estados na série. O comércio, outra atividade importante para as economias nordestinas, ganhou 1,4 ponto percentual de participação, quando observada a distribuição espacial da atividade entre as regiões no primeiro e último anos da série.

O Maranhão teve acréscimo de 0,4 ponto percentual de participação no PIB brasileiro entre 1995 e 2008, em função da atividade industrial, em particular a extrativa e a de transformação, e ainda pela atividade comercial. Já a Bahia, com acréscimo de 0,3 ponto percentual no PIB, deveu seu crescimento aos investimentos nos pólos petroquímico e automobilístico, na indústria de transformação; e elevação das atividades de comércio e administração pública, nos serviços.

A região Sudeste diminuiu 3,1 pontos percentuais de representatividade no PIB brasileiro. Isso é explicado pela perda de participação de São Paulo que, sozinho, ficou com -4,2 pontos percentuais de participação em 2008 quando comparado a 1995. A indústria de transformação paulistana, que participou com 43,7% do total da atividade em 2008, perdeu 5,0 pontos percentuais de participação entre 1995 e 2008, o que foi impulsionado por investimentos regionais, pela guerra fiscal e pela procura de mão-de-obra mais barata em outras unidades da federação. Entretanto, não se pode afirmar que houve migração industrial maciça, pois também se percebeu um movimento de redistribuição dentro do próprio estado.

Dentre os estados do Sul, apenas Rio Grande do Sul perdeu participação no PIB entre 1995 e 2008 (-0,5 ponto percentual), embora Paraná tenha caído 0,1 ponto percentual entre 2002 e 2008 por causa da forte seca que acometeu a região entre os anos de 2004 e 2006. Esta perda não foi suficiente para sobrepor o ganho de 0,3 ponto percentual entre 1995 e 2002. Santa Catarina ganhou participação tanto entre 1995-2002 como entre 2002-2008, 0,3 ponto percentual em cada período.

A perda de participação do Rio Grande do Sul ocorreu a partir de 2004 em função de fortes secas que perduraram por três anos. O resultado do setor agropecuário afetou as demais atividades econômicas, já que sua indústria de transformação tem vínculo estreito com o setor agrícola. A atividade agropecuária gaúcha perdeu 0,1 ponto percentual de participação na atividade nacional em toda a série, sendo que entre 2002 e 2008 a perda foi de 1,0 ponto percentual. Além desta, a indústria de transformação gaúcha, que representava 19,9% da economia do estado em 2008 contra 24,5% em 1995, perdeu 1,4 ponto percentual de participação na atividade nacional entre 1995 e 2008.

O terceiro maior ganho de participação entre 1995 e 2008 ficou com a região Centro-Oeste . Mato Grosso se destacou entre os estados brasileiros, com acréscimo de 0,7 ponto percentual. Goiás e Mato Grosso do Sul também expandiram sua participação, ganhando 0,4 ponto percentual e 0,2 ponto percentual, respectivamente, enquanto Distrito Federal perdeu -0,5 ponto percentual entre 1995 e 2008. O avanço da fronteira agrícola e o deslocamento de plantas industriais são fatores que explicam o ganho de participação do Mato Grosso e de Goiás.

Na região Norte, os estados que mais contribuíram para o ganho de participação entre 1995 e 2008 foram: Pará (0,37 ponto percentual), Tocantins (0,17 ponto percentual), Rondônia (0,15 ponto percentual), Amazonas (0,12 ponto percentual) e Roraima (0,02 ponto percentual). Somente Acre (0,05 ponto percentual) e Amapá (0,01 ponto percentual) quase não avançaram suas participações no período.

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