Um Sonho Intenso

Um-sonho-intensoUm documentário para refletir e contribuir na ação. Um Sonho Intenso, dirigido por José Mariani, resgata o desenvolvimento socioeconômico do Brasil desde a da década de 1930 até os dias de hoje.

O filme, que desde o segundo semestre de 2014 vem sendo exibido em universidades e centros culturais de todo o país e chegou na última semana aos cinemas do chamado circuito comercial de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Mariani, diretor de O Longo Amanhecer – Cinebiografia de Celso Furtado, para a produção de Um Sonho Intenso fez uma série de entrevistas com os principais intelectuais, economistas, historiadores e sociólogos brasileiros, intercalando análises e depoimentos com trechos de filmes e reportagens históricas.

Na verdade, este documentário, de certa maneira, pode ser considerado uma continuidade do O Longo Amanhecer, pois o protagonista, não deixa de ser a busca pelo sonho de Furtado, com a uma visão histórica, social, cultural e econômica do processo pelo qual passamos,  foi interrompido e, resguardado as devidas proporções e medidas, voltamos a viver ao menos nos últimos dez anos.

Entre os entrevistados estão Maria da Conceição Tavares, Celso Amorim, Luiz Gonzaga Belluzzo, João Manuel Cardoso de Melo, Ricardo Bielschowsky, Lena Lavinas, o historiador José Murilo de Carvalho e os sociólogos Francisco de Oliveira e Adalberto Cardoso. Eles traçam um panorama crítico do processo de construção do Brasil moderno.

No documentário é possível compreender que Getúlio Vargas deixa de ser analisado somente como ditador para ser interpretado, também, como um indutor do Estado capitalista brasileiro. Um dos principais entrevistados, o economista e ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, afirma: “Vargas faz um pacto horizontal entre a oligarquia tradicional e atrasada com setores mais modernos”.

A edição foi realizada de forma didática e cronológica. O período ditatorial pós 1964 é revelado em toda sua forma autoritária e o início da modernidade conservadora. Em seguida, ao analisar os efeitos do governo de Fernando Henrique Cardoso no desenvolvimento socioeconômico brasileiro, Carlos Lessa é categórico: “(As privatizações) Acabaram com o projeto de soberania nacional”.

Na sequência, os entrevistados levantam os acertos e erros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Maria da Conceição Tavares reforça a importância da política de criação de emprego durante o governo Lula. “Quando ele disse, na eleição, que iria criar 10 milhões de empregos, o pessoal galhofou. Foi o que ele criou: 10 milhões de empregos. Nem mais nem menos. Nós fomos o único país que, na crise de 2009, não tivemos desemprego”, argumenta Maria da Conceição Tavares no filme.

Belluzzo reitera: “O Lula manteve a construção institucional que, no Brasil, veio da hiperinflação para cá. É um longo processo de reconstrução, do qual o Fernando Henrique também participou. Eu digo que o que Lula fez foi, na verdade, ter a sabedoria de aproveitar o momento de bons ventos da economia brasileira e deu um destino correto para as políticas sociais. E teve a felicidade de fazer aquilo que todos nós queríamos, que é puxar os de baixo para cima”.

O documentário não é somente direcionado aos economistas, historiadores, politólogos etc. mas, fundamentalmente àqueles(as) que desejam uma sociedade brasileira ainda melhor e, que de fato, possamos ampliar e avançar na distribuição da riqueza e da renda. Um Sonho Intenso nos ajuda a compreender e nos inspira a construir da sociedade atual para a sociedade que queremos.

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